Sexta-feira, 20 de julho de 2012. 




Não treina bem. Manda e desmanda no time. Escolhe quem deve ser contratado. Não precisa de “professor”, ele mesmo se escala. Por isso é titular, independente da forma. Não corre em campo. Não ajuda na marcação. No máximo, volta para ajudar os zagueiros nos escanteios e faltas. É chato. Discute com árbitros. Discute com adversários. Discute com companheiros. 

É baladeiro. Ataca de modelo. Cata as modelos. Cata as dançarinas. Cata até a mulher dos companheiros. De chope a caipisaquê, de balada a praia. Está em todas. Ganha muito bem pelo que faz. Gasta boa parte do que ganha em carros. É alvo de ataques da mídia. É criticado por torcedores. Em campo, alheio a tudo isso, resolve.

O texto acima, com algumas pequenas ressalvas, poderia ser usado para descrever Romário, o baixinho dos mil gols e mulheres, Renato Gaúcho, o autor de maravilhas (gol de barriga e Carolzinha que o digam), ou do não menos brilhante inglês Geoge Best. Como falei, poderia. Porque quem é tricolor sabe que me refiro ao Frederico Chaves Guedes. Nosso Fred. 

(Foto: Divulgação Fluminense Football Club)


Os três primeiros jogadores supracitados tiveram uma vida desregrada e são considerados até hoje como mitos. Não só por títulos ou por qualidade técnica, mas, principalmente, porque fizeram história. Fred, talvez menos vitorioso, menos espetacular, e até menos desregrado que os demais, mas tão histórico quanto, é tratado com desconfiança. Em lugar ao mito, chinelinho. 

Já não bastava ter participado da maior arrancada de um time em um Campeonato Brasileiro em 2009. Não bastava ter levado um clube a uma final de torneio continental, decidindo praticamente só. Não bastava ser decisivo em um título brasileiro em 2010. Não bastava ser o atacante com mais gols numa edição de Brasileirão por um clube. Não bastava levar um time a mais uma edição de Libertadores. Não bastava ser campeão estadual, decidindo o título.

(Foto: Divulgação Fluminense Football Club)


Não bastava. Não basta. Não bastará. 

Parece que mesmo que o armadura 9 faça tudo que lhe for possível para ser querido homogeneamente pela melhor e mais bonita torcida do mundo, ele nunca conseguirá ser unânime. 

Diante da goleada sobre o Bahia por 4 a 0, nesta 10ª rodada do Brasileiro de 2012, Fred passeou em campo e escreveu mais um capítulo de sua história como jogador. Escreveu também mais um capítulo do Fluminense na história do futebol. Em 19 de julho de 2012, Fred passa a ser o maior artilheiro do Fluminense em Campeonatos Brasileiros. Com 44 gols, supera nomes unânimes entre os tricolores, como o próprio Romário, citado no início desta resenha, Ézio, Flávio, o artilheiro tricolor do primeiro título brasileiro em 70, e os Washingtons. 

Já sabemos. Não bastará. E que não baste. Que Fred não seja a unanimidade tricolor, porque toda unanimidade é burra. Não é, Tio Nelson? (citação de praxe). Que ele não seja mito, que seja o cara do carrão e do caipisaquê. Que seja o ídolo duvidoso, que seja o chinelinho. Que ele continue sendo tudo isso, resolvendo em campo e escrevendo a história do Fluminense. 

Que ele seja o eterno chinelo histórico tricolor!

(Foto: Fluminense Football Club)

Avante exército tricolor, mais uma batalha vencida de uma guerra por vencer! 
Saudações Tricolores! 

"Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei", (BEST, George) 

10ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2012 

FLUMINENSE 4 x 0 Clube de três cores da Bahia 

Destaques positivos 
Após um primeiro tempo em que o amplo domínio foi tricolor (vocês sabem a quem me refiro, por favor), mas o gol não saiu, o Flu deslanchou no segundo tempo. O toque de bola foi envolvente e abusamos de chutes de fora da área, o que é bom pra um time que arrisca pouco. Fred e Deco foram os melhores em campo. Aliás, continuamos carecendo dos dois mesmo com um elenco estelar. Elenco este que voltou a mostrar força. W.Nem jogou bem, mas não foi brilhante como habitual. Thiago Neves parece ter feito uma das melhores partidas após seu retorno. Jean subiu bem ao ataque e Carlinhos quando apareceu, foi bem. Gum e Anderson foram seguros e falharam pouco. De longe o melhor segundo tempo tricolor deste Brasileirão. 

Destaques menos positivos 
Edinho. Não aguento mais escrever sobre suas deficiências. Mais uma vez um passe errado na saída de bola, que neste jogo, ia proporcionando um gol do Bahia. E pior, quando o jogo ainda estava 0x0, fato que poderia ter mudado o rumo do Flu na ocasião. Abelão, mais uma vez deu uma bola fora. A evolução tática foi evidente, muito pela ofensividade mostrada no segundo tempo (independente das deficiências do clube de três cores da boa terra). Mas, a bronca deste jogo fica por conta da falta de Marcos Júnior no banco, quando foram escolhidos como suplentes Rafael Moura e Samuel, atacantes de mesmas características. Menos jabá e mais coerência, Abel.