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A razão da eternidade - 110 anos de Fluminense
14:48
Por André Resende
Sábado, 21 de julho de 2012.
Hoje é dia reforçar seu sentimento pelo clube mais tradicional do Brasil, tricolor. Um sentimento verde, branco e grená que só quem vive sabe o que significa.
Neste dia 21 de julho de 2012, o Fluminense Football Club alcança a marca de 110 anos de história. Mas o que são 110 anos diante da imortalidade do tricolor e da impávida eternidade do pavilhão mais bonito do mundo? Ínfima parte.
Em lugar de parabenizar a instituição, gostaria de dedicar esta postagem à melhor e mais bonita torcida do mundo. Não que o Fluminense não mereça cânticos e homenagens. Pelo contrário. Mas não poderia prestar uma honraria ao único tricolor do mundo, sem antes exaltar a importância da participação de milhões de apaixonados, que, segundo palavras de Tio Nelson (basta), explicam a imortalidade tricolor. Ainda mais quando a história do Fluminense e de seus adeptos se confundem. Quando enobrecer um é glorificar, inevitavelmente, o outro.
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| (Montagem: facebook.com/flunaglobo) |
E não há melhor forma de enaltecer a torcida tricolor, que lembrando os momentos mais difíceis passados junto ao Flu ao longo dos mais de 100 anos.
Em momentos de glória, a torcida apenas segue o coro regido dentro de campo. É na tristeza, quando a paixão é questionada, e no sentimento de fundo de poço, que uma torcida mostra seu valor. Existem mais numerosas, mais entusiastas, e até mais presentes, mas nenhuma torcida de um gigante do futebol mundial é mais apaixonada por seu clube que a torcida tricolor.
Parecerá clichê. Provarei que não.
Entre o pioneirismo, formação de uma tradição e de inúmeras glórias, a história do Fluminense reserva capítulos que qualquer “massa” sentiria vergonha em lembrar. Mas a torcida mais iluminada do mundo não é massa. É a representação de uma claque pensadora que “nasceu para atravessar a harmonia do bloco dos contentes, para incomodar o senso comum”, como bem disse um sábio tricolor (mera redundância) anônimo. Por isso, vibramos nossas conquistas, mas nos orgulhamos mesmo é da superação certeira nas situações desalentadoras.
A demonstração de força do amor da torcida tricolor é diretamente proporcional a dramaticidade da situação em que o Fluminense se encontra.
Demonstração de paixão como a vista em 1998, quando, apenas após ser duplamente rebaixado, o Flu, até então “incaível”, fora jogar a segunda divisão. Época em que mesmo diante de jogos marcados às 11h do domingo, a torcida tricolor comparecia aos quarenta, cinquenta mil, só para apoiar o Flu. Apoiar e presenciar o mais tradicional clube do Brasil ser massacrado por minúsculos do futebol brasileiro.
Sentimento que permaneceu inabalável mesmo após chegar ao fundo do poço, na Série C. Quando o Flu precisou deixar a fidalguia de lado, e empurrado por sua torcida, sair como muito esforço de um lugar que nem Oscar Cox imaginava que pudesse chegar. Lembro de ser zoado só pelo fato de “ser Fluminense” em meados de 1999, no alto dos meus 10 anos. Mas sinto orgulho de recordar da força do meu amor pelo tricolor.
- Ah, olha lá o terceira divisão!
- Pra que time você torce? – perguntava eu.
- Pra o Vasco!
- Se o Vasco caísse para terceira divisão você deixaria de torcer por ele?
- Deixaria! - respondia o vascaíno.
- Por isso que eu sou Fluminense, e você é Vasco.
Não bastava a força do amor na tenebrosa década de 90. A torcida tricolor ainda teria que provar seu sentimento pelo Fluminense em 2008, durante e depois da Copa Libertadores. Jogando junto em cada partida no Maraca sempre pulsante até a final, e depois com olhos marejados de decepção, mas certos de terem visto uma relação de amor notada em outras poucas arquibancadas.
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| (Foto: Dhavid Normando) |
No ano seguinte outro exemplo gratuito de como se torcer por um clube de futebol. Na arrancada redentora do Flu no Brasileiro, nos qual todos davam como certa a condenação à segunda divisão, apenas a torcida tricolor acreditava no improvável. Cegamente apoiou, compareceu, empurrou, jogou junto uma vez mais. Lotou até aeroporto para recepcionar o time mesmo após sofrer com uma sonora goleada de 5x1 contra o mesmo algoz do ano anterior.
A relação do Fluminense com sua torcida foge a compreensão dos normais. Quanto mais se sofre, mais se ama. Quanto mais tristeza, mais orgulho. Porque somente o que sentimos, justifica o que fazemos.
Se o dia 21 de julho é marcado historicamente no futebol como aniversário de fundação do Fluminense Football Club, para os tricolores sempre será o dia de se orgulhar da superação nos capítulos difíceis. Dia de também relembrar de glórias passadas, torcer por presentes e imaginar futuras. Será o dia de vestir o querido pavilhão que traduz tradição, de colocar a flâmula tricolor para tremular na janela e escutar no mais audível volume o hino mais arrepiante do futebol mundial, porque o Flu faz 110 e nós somos esta história.
Dia do eterno Fluminense.
Dia de comemorar o motivo pelo qual este clube é eterno.
Inevitavelmente, dia do orgulho tricolor!
Saudações Tricolores!
“O Fluminense tem a vocação da eternidade, e se me perguntarem porque digo isso explicarei singelamente, essa torcida legada que nos acompanha está com o clube no insucesso ou na gloria, torcida que tem fogo nas entranhas, essa torcida, dizia eu, explica a imortalidade do tricolor. Sem uma torcida fiel plena de amor o clube envelhece agoniza e morre, mas aquela torcida tricolor é tão imortal quanto seu clube. Não sei se é a maior, talvez não seja maior, mas eu direi que a torcida do Fluminense é a mais doce e mais iluminada torcida do Brasil e do mundo”.
(NELSON FALCÃO RODRIGUES)
This entry was posted on October 4, 2009 at 12:14 pm, and is filed under
André Resende,
Fluminense
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