Sábado, 26 de maio de 2012.

Porque se Assis se achou no direito de tirar MANTOS SAGRADOS de uma das lojas do FLAMENGO porque o clube não paga o que deve a Ronaldinho, nada mais justo do que agora devolver o que roubou, já que R10 não está dando nada em troca.

O nosso camisa 10 (saudades suas, ZICO) bem que poderia ser o personagem principal deste empate indigesto contra o Internacional. Entrou em campo sob merecidas cobranças da NAÇÃO. Fez um primeiro tempo meia-boca, com participação indireta no primeiro gol e um pênalti bem cobrado e convertido. Aí sambinha e reverências à MAIOR DO MUNDO. Parecia bom até aí. Mas fez um segundo tempo bem mais apagado e, para completar, reeditou uma jogada que já aconteceu várias vezes: prender a bola no meio, perdê-la e ceder o contra-ataque ao time adversário. Desta vez foi fatal. Dátolo fez o terceiro dos colorados e decretou o empate - mais um, de novo, outra vez, novamente, como se ainda estivéssemos no Brasileirão de 2011.

A isso, sucedeu-se o quase ineditismo de uma substituição sua. E, sob vaias mais cabíveis que os protestos do início do jogo, cedeu lugar a Deivid e foi para o banco de reservas ouvindo xingamentos. Admito que entre os FLAMENGUISTAS que eu conheço, sou um dos que mais está, ainda, do lado de R10. Mas não é por isso que não sinto o quanto falta-lhe honrar o MANTO, a braçadeira de capitão e a condição que tem no MAIOR DE TODOS.

R10 fez um gol, mas deu mole e perdeu a bola que resultou no empate do Inter (Foto: Alexandre Loureiro / Vipcomm)
Claro, não foi só Ronaldinho que deu mole e entregou a paçoca. O time, como um todo, muito embora tenha se apresentado bem melhor do que contra o Ixpó, teve sua responsabilidade nesta "derrota" por 3 a 3. A começar por Papai Joel e seu esquema de quatro volantes (ainda que, sendo dois destes Kleberson e Ibson, eu não o ache tão retranqueiro como tenho medo que ele acabe sendo daqui pra frente).

E nossa defesa nem apresentou erros bisonhos como costuma fazer. Mas o primeiro gol dos caras começou depois que tentamos sair jogando na base do bicudo -, a bola ainda passou por uma canelada de Ibson, antes de a jogada ser concluída com o toque de Gilberto pras redes. Isso, depois de abrirmos 2 a 0 com certa facilidade - e com um pênalti que, na minha opinião, não existiu (talvez tenha sido para já ir compensando o ano passado em que não nos foi marcado um penaltizinho sequer). E por falar em compensar, o árbitro resolveu ignorar o fato de Nei ter cortado com o braço, dentro da área, um chute de Ibson. Um lance pelo outro, tudo "certo".

Nos outros dois gols só em vermelho, um petardo indefensável até para o melhor goleiro reserva do Brasil. Paulo Victor não tinha o que fazer no chutaço de Fabrício. A defesa, sim, vacilou na sua função. Que centralizada foi aquela que Léo Moura deu no lance? Deixou muito espaço pro cara chutar e acertar. Por fim, a fatídica consequência da brincadeirinha de Ronaldinho, de proteger bola com a bunda e dar o contra-ataque de bandeja. 3 a 3. Do jeito que não tinha que ser, mas que já não surpreende pela famigerada fama do FLAMENGO de não saber matar jogo.

O retorno de Ibson

A reestreia de Ibson com o MANTO foi abaixo do que eu esperava, mas ainda mantém as minhas boas expectativas de termos um meio de campo mais inteiro com ele por ali. Sobre Ibson, tenho uma dúvida parecida com a que tenho sobre o Botafogo. Não sei se o time solitário é o menor entre os grandes ou se é o maior entre os pequenos. Seguindo quase a mesma lógica, não sei se Ibson é um volante ofensivo ou um meia defensivo. Por isso mesmo, escalado por Joel ao lado de Kleberson para compor o quadrado de volantes, não acho que o time esteja de todo retrancado, apesar de que eu acho que o FLAMENGO sempre deve jogar mais para frente.

Mas o nosso camisa 7 teve lá as suas boas participações na partida. Sofreu o pênalti fantasma que resultou no nosso segundo gol. Chegou bem na cara de Muriel, ainda no primeiro tempo, depois de corta-luz fantástico de Love, e só pecou por não ter conseguido driblar o goleiro do Inter. Chutou bem a bola que foi desviada com o braço pela defesa colorada. Apareceu, tentou tabelar, se esforçou, buscou o jogo. Foi o Ibson com vontade que nos acostumamos a ver vestindo o MANTO. Mas pode melhorar e é preciso que melhore.

Por fim, fica a lição dada pelo Inter. O Colocarado, time grande que é, jogou contra um também grande, fora de casa, buscando vencer, somar três pontos. Já o FLAMENGO, quando fora de casa, diante de um indiscutível pequeno Ixpó, se acovardou e não foi para cima, senão depois de ficar em desvantagem no placar.

Papai Joel e seu comandado precisam aprender que Brasileirão se joga para cima, para vencer, pontuar, largar bem e tentando ter, o tempo todo, mais pontos que os adversários. Se aprender isso, teremos parte do caminho já caminhado.

Saudações RUBRO-NEGRAS!