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O adiamento da conquista da América em atos
03:40
Por André Resende
Quinta-feira, 24 de maio de 2012

O sonho da conquista da América foi adiado. Mais uma vez.
Ao final da partida, a decepção transformou meu semblante. A tristeza, minhas atitudes. Alheio às lamúrias dos tricolores que acompanhavam a partida ao meu lado, só conseguia me perguntar.
“Mas por que, Tio Nelson? Cadê você João de Deus? Gravatinha, por que nos abandonaste de novo?”.
Continuava em silêncio. Os tricolores iam, um a um, sentenciando o seu Judas da eliminação. “Abel, burro!”. “Rafael Moura, poste!”. “Como é chinelinho esse tal de Thiago Neves, devia ter ficado lá com a mulambada!”. Impassível, não sentia o impulso que sempre tive de sair em defesa dos nossos guerreiros, que na condição de derrotados no momento, iam sendo expostos à desforra pela própria torcida.
Persisti no silêncio.
Permaneci assim por cerca de dez minutos, esperando que alguma das entidades tricolores, apeladas antes, durante e depois da partida contra o Boca, me mandasse um sinal, uma mensagem, uma resposta. Não ouvi nada.
Esqueci o momento.
Ainda cabisbaixo, voltei para casa analisando lances cruciais da partida e consequências daquela eliminação com um primo meu (mais um dos que herdaram o DNA tricolor). Com algumas doses a mais de sobriedade (se é que era possível depois de perder a conta das cervejas tomadas), percebi que mais uma vez o Fluminense honrou a armadura verde, branco e grená, mesmo com o gosto amargo da eliminação.
Concluí que, gols nos minutos finais em partidas de Libertadores acontecem tanto para o bem, como em 2008 na mesma fase diante do São Paulo, quanto para o mal. Orgulhei-me, ao lembrar dos guerreiros brigando por cada centímetro de grama do Engenhão.
Recuperei minha razão.
E, justamente neste momento, como ao ter escutado um sussurro, vi a palavra tradição surgir em minha mente. Tradição. Tentei encontrar um motivo. Achei dois.
Nesta partida perdemos para a tradição do Boca! “Por que não!?”. Jogamos tanto quanto eles, lutamos tanto quanto eles. Mas, nesta noite de quarta-feira, a camisa do time xeneize, um pano azul e amarelo que já tinha sido visto em outras 23 Libertadores e levantado por seis vezes aquela taça cabeçuda da Conmebol, guiou um grupo de jogadores à classificação.
Inevitavelmente comparei.
“Porra, é a quinta Liberta que jogamos. A primeira vez em dois anos seguidos”. E num momento de clarividência (como num passe mágico de Deco), entendi: “Caramba! Hoje, com essa eliminação pra o Boca, colocamos mais um capítulo do Fluminense na história da Libertadores. Ainda estamos, tardiamente, forjando nossa tradição no continente”.
Por fim, julguei.
“Breve, muito em breve, o Fluminense ganhará jogos de Libertadores como este que perdemos para o Boca. Sem jogadores totalmente inspirados. Sem técnicos estrategistas. Sem futebol vistoso. Triunfaremos unicamente com a TRADIÇÃO. E aí meus amigos, conquistar a América será questão de tempo”.
Orgulhoso do meu raciocínio e rindo do silêncio pós-partida que impedira tal análise, ouvi uma voz quando já estava só, em casa, no meu quarto. Um sotaque pernambucano, meio trêmulo, que parecia sair em meio a uma tragada de cigarro, me sussurrou: Maracanã.
Cético moderado (se é que isso é possível), não encontrei razão científica para explicar o que acabara de acontecer. Então, apelando para as minhas crendices que independem de religião, lembrei das interpelações indignadas feitas por mim às entidades tricolores ao apito do árbitro.
Acreditei.
Era a voz de Nelson Falcão Rodrigues. O Tio Nelson. Não me dera uma notícia. Não me mandara uma frase genial. Apenas: Maracanã. Não sei o que ele quis dizer. Não sei qual a relação com a partida de hoje. Entendi como um sinal de jogos históricos que virão, e como um sobrinho que respeita a idade e a genialidade dos tios, fiz a única coisa que me cabia fazer no momento.
Respondi.
"Obrigado, Tio Nelson, por não ter se esquecido de me atender".
PS.: Texto de cunho fictício. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. (Isso se você tiver chegado até aqui!)
Saudações Tricolores!
“Todos os clubes têm os seus brasões. Mas só o Fluminense, além de sua bandeira e de seus títulos, tem Nelson Rodrigues” (FILHO, Nelson Rodrigues)
This entry was posted on October 4, 2009 at 12:14 pm, and is filed under
André Resende,
Fluminense
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24 de maio de 2012 às 23:42
Vão aprender a torcer para o time da própria terra povo antipatriota. Pessoas do sudeste que chamam a gente de Paraíba como uma forma de discriminação e, quando vamos para lá, somos os mais discriminados e a gente ainda aqui, por parte de vocês, dando o luxo que tanto eles queriam, serem vistos como a central do Brasil. Não adianta dizer que nossos times não prestam, o problema é que gente como vocês não torcem para o time da própria terra, consequentemente o time fica sem patrocínio e recursos financeiros para ir para frente. Mas isso é claro, quem é a grande empresa que vai querer fornecer patrocínio a um time paraibano que nem nós mesmos prestigiamos? São por essas e outras coisas que nosso estado não vai para frente, pois falta gente que vista a camisa dessa terra para trazer o melhor para o povo, pois em vez de olharmos para os nossos problemas para tentarmos solucioná-los, preferimos olhar o reino de outros que apresentam riqueza e fartura. Essas coisas que não é de acontecer com nossos estados vizinhos, principalmente a Pernambuco, que deveríamos tomar como exemplo, estado que o povo bate no peito pra dizer que faz parte daquela terra, diante dessa cultura que é digna de respeito, é que o estado vai para frente, pois estas pessoas estão ali para cobrar por melhorias, diferente da gente que ao menos olhamos para a seca e miséria do nosso cariri. Mas não, preferimos sempre fechar os olhos para os nossos problemas e abrir para as riquezas de outros estados, como: São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians, Vasco ... se é que conseguem me entender.
25 de maio de 2012 às 01:20
25 de maio de 2012 às 01:27
Amigo anônimo (já que não teve coragem de mostrar o nome, como mostrou ao defender a honra das coisas do Nordeste), peço que leia com atenção este post aqui http://pontosdevistacorridos.blogspot.com.br/2012/05/nordestiniota.html
E sim, até consigo entendê-lo, mas não me sinto na capacidade intelectual de aceitar o argumento. Obrigado por ter perdido o seu tempo vendo um blog feito por um bando de nordestinos desonrados. (Com exceção óbvia dos blogueiros Silas Batista, torcedor do Sport, e Larissa Keren, torcedora do Bahia)
25 de maio de 2012 às 20:53
Comentando o "anomino".
Se for para torcer pelo time do meu Estado, não existiria mais "rivalidade" entre os times do próprio, so em jogos Estaduais, devido as suas respostas das perguntas que irei fazer abaixo.
Primeira pergunta, tenho que torcer para o time do meu Estado? (escolhendo os times do meu Estado)
Se sim, se o ABC for jogar contra La U? Os "americanos" iriam torcer para o LA U.
E ai então, se eu sou "norte riograndense" deveria torcer pro Abc, não é?
Os que dizem realmente americanos não torcem.
E a ultima pergunta, so cita os times da capital, não é so aqui em todo canto,e se eu não me engano o "interior" faz parte do Estado, ou não?