Terça-feira, 28 de agosto de 2012.



Estava meio triste.
 
Achando-me meio esquecida.
Na verdade, relegada é a palavra.

Sei que nunca fui a queridinha dos tricolores. Aliás, sei que nunca tive tanta popularidade assim entre meus fãs, como minha irmã macumbeira na sua época galinha ou minha prima diagonal em sua fase explosiva tiveram e têm com os seus.

Mesmo assim, em 110 anos de história, sempre tive um espaço de destaque no Fluminense.

Podia não ser a protagonista na maioria dos times, mas sempre estava como coadjuvante. Algumas vezes me permitiam até roubar a cena. Como na final do Carioca de 1995. Não fiz o gol de barriga, mas meti a bola depois de entortar uma irmã macumbeira.

Protagonista mesmo só fui na década de 70.

Sinceramente, aquela foi a minha época.

Minha e do meu parceiro Roberto.

Que me perdoem os antecessores, mas Roberto me deu o prestígio que sempre procurei. Em três anos, ele me proporcionou o que nenhum outro parceiro havia me dado, a oportunidade de ser a estrela de um Fluminense estelar.

E com ele dei verdadeiros espetáculos.

Gols, elásticos, patadas e títulos.

Ele me popularizou, em troca da guarida e da tranquilidade dadas por mim a ele. Ainda mais após terem praticamente lhe arrancado a companheira anterior.

E como todos os outros, Roberto me deixou para seguir outros rumos.

Desde então, fiquei mais uma vez à procura de alguém que me fizesse sentir importante de novo.

O que só iria acontecer quase dez anos mais tarde.

O companheiro também era bigodudo como Roberto.

A única semelhança, aliás.

Benedito era um crioulo esguio.

E brilhante, de uma maneira diferente de Roberto, mas, definitivamente, brilhante.

Conquistei com ele o que tinha conquistado com Roberto. E mais.

Com Benedito fui Campeão Brasileiro.

Fui uma coadjuvante de um time sem protagonista.

Senti-me querida uma vez mais, para então me vê sendo relegada novamente.

Depois de Benedito, passei na mão de alguns pernas-de-pau, de um mauricinho que chamavam de Maradoninha, de um prodígio vindo de Xerém e até de um animal. Nenhum deles sendo aquilo que Roberto ou Benedito haviam representado para mim.

Estava quase sem esperanças até que em 2008 voltei a protagonizar.

Um rapaz que ninguém botava muita fé foi lá e me colocou de novo nas capas dos jornais e nas reportagens principais dos programas esportivos.

Thiago e eu protagonizamos momentos mágicos naquele ano.

Digno de um ato final inédito e belíssimo, mas de um fim trágico.

Fim este que me separou do companheiro que tinha feito eu me sentir querida entre os tricolores de novo.

Nos anos seguintes fui usada por companheiros que reforçaram meu estigma de coadjuvante.

Servindo a vilões, como o companheiro mulambento advindo do “mundo árabe” em 2010, e a heróis, como até poucos dias atrás com um guerreiro que puxava uma espada das costas.

Até o amigo Darío preferiu brilhar usando outra companheira.

Despojada no banco do vestiário, peguei-me recordando dos velhos e bons momentos vividos com os grandes parceiros. Até que me vi ao lado de Thiago novamente.

A partir daí tinha certeza que voltar a ser protagonista era questão de tempo. E foi.

Contra o Vasco, após decidir a partida, voltei às capas dos jornais, a ser falada nas ruas, a ser querida pelos tricolores.

A implicância de Thiago em usar outra com cargas negativas advindas de sua passagem pelo Império do Mal não lhe estava fazendo bem. Nem parecia aquele jogador cujo tive a honra de ser companheira em 2008.

E eis que numa partida decisiva, quando a busca pelo título estava sendo coloca à prova, voltamos a brilhar.

Não foi nada perto do que já fizemos ou do que já fiz ao lado de Roberto ou Benedito.

Foi apenas uma amostra do que pode estar por vir.

Sei que a 11 ocupa um lugar especial no coração dos tricolores.

Também sei que a 1 sempre será a mais querida de todas.

E tenho certeza de que tenho plenas condições de rivalizar com a 9 pelo papel principal.

Afinal de contas, um clássico foi vencido pelo Flu comigo como protagonista.

Um papel que posso assumir perfeitamente pela conquista de mais um campeonato brasileiro.

Uma missão que eu, a eterna relegada CAMISA 10 TRICOLOR, posso cumprir com maestria.
(Foto: Fluminense Football Club)

Guerreiros, a primeira missão foi cumprida!

Terminamos o 1° turno com 42 pontos, apenas um atrás do Patético Mineiro. Nossa melhor campanha em 19 rodadas na história do Brasileirão de pontos corridos.

Não somo líderes? Não importa.

Nosso futebol, nosso time de guerreiros consagrados, nossa camisa e nossa moral nos últimos brasileiros nos mostram que alcançar o topo é questão de tempo.

Avante exército tricolor, mais uma batalha vencida de uma guerra por vencer!

Saudações tricolores!

"Eu tenho dois Fluminenses. O próprio e a Seleção Brasileira", (RODRIGUES, Nelson)

19ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2012

Vice da Gama 1 x 2 FLUMINENSE

Destaques positivos
Não importa o que digam. Thiago Neves é outro jogador após trajar a armadura 10. Se não é o craque de outrora, consegue ser decisivo como antigamente. Voleio plástico, falta maestral. Nem conseguiu impor seu ritmo mesmo sem ritmo de jogo, mostrando a mais-valia que é neste elenco tricolor. Sóbis entrou bem no segundo tempo. Wagner voltou a mostrar regularidade pelo Flu, a mesma de Jean. Fred, se não foi decisivo se mostrou aguerrido e lutou bravamente com a zaga bacalhoesca, isso sem falar das poucas bolas que chegaram prontas para finalização. Não podia esquecer de Edinho, a malícia tricolor. Protagonizou seu melhor momento com a camisa do Flu após empurrar o jogador vascaíno da barreira e abrir caminha para a bola de Thiago Neves. Edinho craque!

Destaques menos positivos
Bruno voltou injustamente a titularidade. Ainda que pese a inexperiência de Wallace, o jovem lateral tricolor vinha se apresentando bem. Inclusive dando mostras de que tinha aprendido alguma coisa o Mariano, antigo titular e companheiro de time na temporada anterior. Edinho, apesar do melhor lance com a camisa do Flu, continua sendo um bom reserva. É inconcebível Valencia fora deste time titular. Mais uma opção duvidosa de Abel Braga.