Quarta-feira, 20 de junho de 2012.

Reza a lenda, ouvida em algum ano de alguma década passada, que segundos depois eu de deixar o útero de MAMÃE e antes mesmo que eu pudesse soltar os primeiros berros no mundo, um tecido preto e vermelho foi posto em volta de mim, e só então eu olhei para a vida. Só depois de estar rubro-negramente coberto foi que senti os primeiros raios de luz quase cegarem meus olhos e as primeiras rufadas de ar invadirem meus pulmões. Nem acho que foi ali que me tornei FLAMENGO. Eu já o era. Mas que eu fui bem recebido, isso fui.

O responsável pela minha primeira irretocável vestimenta na vida está comigo até hoje. E merece todas as honrarias neste 20 de junho. FLAMENGUISTA como eu (ou eu como ele), Seu Raimundo, meu pai, 63 anos de rubro-negrismo, aniversaria hoje e não há como não agradecê-lo por ter, à sua maneira, me indicado o caminho certo. De gene inegavelmente preto e vermelho, PAPAI foi a primeira figura flamenga a me indicar o melhor rumo a seguir.

Foi com ele que aprendi a acompanhar os primeiros jogos do MENGÃO pelo radinho de pilha, seu companheiro inseparável nas pelejas do mais querido. Mais tarde, sentávamos em frente à tevê (ele sempre com o radinho do lado) para eu me contorcer de emoção e ele, mais comedido, vibrar no seu ritmo, praguejar no seu limite.

Com a sua experiência no riscado preto e vermelho, me contou histórias sobre ZICO, que ele viu de perto desfilar o mais fino do futebol nos gramados. Me narrou histórias de um FLAMENGO sem fim, que amedrontava e que era maior do que se imaginava. Que é eterno. A partir daí, no tornamos parceiros de torcida, de debates pós-partidas, de comentários sobre esse ou aquele jogador ou técnico. Foi Seu Raimundo que foi-me mostrando a grandeza de ser FLAMENGO.

Aos conselhos de "É assim mesmo, véi", foi-me deixando o aprendizado de que, por mais que pareça, afinal somos FLAMENGO, não venceremos todas, seremos derrotados, pisoteados até, mas sempre voltaremos ao topo, à superioridade típica de quem veste o MANTO.

Foi com PAPAI que comecei a dar os primeiros passos - um preto, um vermelho, um preto, um vermelho (...) - até poder andar com meus próprios pés, viajar para estádios e ver o MENGO jogar. Ser mais um independente dentro na NAÇÃO. Mas sempre lembrando que seja onde e como foi que me tornei FLAMENGO, houve um momento em que o DNA influenciou. E este eu devo a Seu Raimundo, meu pai.

Porque aprender a ser FLAMENGO não é fácil nem difícil. Mas se espelhar num grande FLAMENGUISTA é reconfortante (Foto: arquivo pessoal)


Feliz aniversário, velho, grande FLAMENGUISTA! Obrigado pelo rubro-negrismo que emana da gente.

Saudações RUBRO-NEGRAS!