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Pistas de um título nostálgico
17:44
Por André Resende
Segunda-feira, 29 de outubro de 2012.
Supersticioso e divagador.
Sendo um cara condizente com os dois adjetivos supracitados, me peguei um dia desses pensando na campanha avassaladora do Fluminense neste Brasileirão.
Conclui orgulhoso, o óbvio: irretocável!
Fui além. Comecei a projetar as cinco batalhas que nos darão o título.
E foi nesta projeção que, num desabrochar transcendental, começaram a irromper semelhanças deste Fluminense com os outros três “Fluminenses” tricampeões brasileiros.
Tudo começou com “pegaremos São Paulo e Palmeiras fora de casa na reta final. E se quisermos chegar à última rodada com folga ou quem sabe já com o tetra debaixo do braço, precisamos de bons resultados lá, assim como conseguimos em... 2010!”.
A partir daí as coincidências entre as campanhas que pintaram o Brasil em verde, branco e grená e a deste ano, as semelhanças entre os times que nos levaram ao tri e este que pode nos levar ao tetra, foram fluindo naturalmente.
Como não enxergar o Fluminense de 1970 neste Fluminense pragmático de Abel Braga?!
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| Mickey, armadura branca e mesmo rival (Foto: Arquivo / Agência O Globo) |
O Fluminense que não dava espetáculo, que jogava para o gasto, que começou a falhar na hora dos confrontos mais duros (diretos), que fazia a própria torcida tricolor duvidar da qualidade do time, da envergadura pra ser glorioso.
“E o Atlético Mineiro, time do futebol com pinta de campeão!”. Diziam a mesma coisa em 70. Todos sabem o final da história. Sendo humilde, pragmático, o Fluminense não precisa se preocupar em dar espetáculo. Basta ser objetivo, conciso, vitorioso.
E as nuances de Félix em Cavalieri?
E o que dizer de Sobis? O craque vindo dos gramados do Sul considerado reserva que decide quando entra. O cara alternativo, que foge do padrão boleiro comum. Ou estaria eu descrevendo o iluminado Mickey?
Como não ter a grata recordação de que em 1984 fomos campeões cariocas e faturamos o Brasileiro?
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| Um Fluminense e Vasco, uma vez mais, decidindo o campeonato (Foto: Sebastião Marinho) |
É impossível não perceber a particularidade daquele time redondo, entrosado, cascudo, com este Fluminense versão 2012. Descrito à época como, o time de disciplina tática impecável, onde todos sabiam o que fazer dentro de campo. É impressão minha ou vemos algo semelhante no Flu de Cavalieri, Nem, Fred e Cia?
Não há em Gum, um pouco de Ricardo Gomes? E em Carlinhos, um quê da ousadia de Branco?
Difícil não lembrar que em 1984 decidimos a nossa história contra o Vasco, e que em 2012 decidiremos nosso tetra diante da caravela malfadada ao naufrágio.
E quanto ao nosso pavilhão? Em 70, relegando a união de cores mais tradicional do Brasil, fomos campeões trajando o branco como armadura. Exceto por birra dos cartolas tricolores, dificilmente enfrentaremos o Vasco vestidos com o pavilhão mais bonito do futebol mundial, diante da “interdição” da duvidosa camisa tricolor 2012.
E o que dizer da partida decisiva deste ano? Órfãos do Marcanã, nós, tricolores, poderemos uma vez mais comemorar um título brasileiro no Estádio Olímpico João Havelange. Assim como em 2010.
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| Juntos pelo tetra e a possibilidade de mais um brasileiro no Engenhão (Foto: Reprodução Sportv) |
E aquelas semelhanças que parecem marcas do destino, convergências do sobrenatural que insistem em presentear os tricolores com casos repetidos ao longo dos anos gloriosos?
Didi, Delei, Deco.
Samarone, Assis, Neves.
Cafuringa, Romerito, Nem.
Flávio, Washington, Fred.
E as coincidências não paravam.
Meu devaneio me levava por quantos mais caminhos minha recordação tricolor sugerisse. Não havia lacuna que não fosse preenchida com alguma semelhança histórica.
Praticante convicto das minhas crendices futebolísticas, que independem de qualquer religião, só pude encontrar uma explicação plausível para toda essa divagação que me arrebatara.
Não eram meras coincidências.
Eram pistas.
Dicas, amostras, indícios.
Tricolores, eu vos confidencio.
Longe de mim, querer ser profeta. Nunca hei de ser, e nunca ninguém haverá de ser.
Não mais. Não após o único e eterno profeta tricolor ter existido e nos deixado.
Mas acredito que, como tal, consegui enxergar o óbvio.
A história urra. Seremos campeões!
Saudações tricolores!
“Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória”, (NELSON FALCÃO RODRIGUES).
This entry was posted on October 4, 2009 at 12:14 pm, and is filed under
André Resende,
Fluminense
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